Uma adolescente de 15 anos foi agredida brutalmente por um policial militar durante as celebrações do Carnaval 2026Campo Grande, na terça-feira, 17 de fevereiro. O episódio, registrado em vídeo que já circula amplamente nas redes sociais, aconteceu no cruzamento da Rua 14 de Julho com a Avenida Mato Grosso, na região da Esplanada Ferroviária. A jovem, que estava acompanhada da irmã e de uma amiga, foi atingida por um chute nas costas, resultando em ferimentos e em um cenário de pânico.
Discussão verbal termina em violência e feridos
Tudo começou com o que a vítima descreve como uma simples discussão. De acordo com o relato dado ao g1, a adolescente de 15 anos estava com sua irmã gêmea e uma amiga quando houve um desentendimento verbal no local. Segundo ela, não existia qualquer briga física antes da chegada dos agentes de segurança. O clima pesou rapidamente quando os policiais se aproximaram.
A situação escalou de forma assustadora. A jovem relatou que os policiais não tentaram mediar o conflito, mas passaram a agredi-las com cassetetes. No meio da confusão, a adolescente recebeu o impacto de um chute nas costas que a derrubou no chão. A queda foi feia e a dor imediata: ela sentiu a articulação do braço se deslocar, embora a confirmação médica exata ainda dependa de exames detalhados.
Mas a tragédia não parou nela. A irmã da jovem, também de 15 anos, teve um destino ainda mais grave. Atingida por um golpe de cassetete, a garota sofreu uma fratura no braço. O detalhe que mais choca a família é a total ausência de humanidade após o ataque. Segundo a vítima, nenhum dos policiais — nem mesmo uma agente feminina que estava presente — se moveu para prestar qualquer tipo de socorro após as meninas caírem feridas no asfalto.
A resposta da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul
A repercussão digital foi instantânea. Com o vídeo viralizando, a Polícia Militar de Mato Grosso do SulPMMS se viu obrigada a se manifestar. Em nota oficial, a corporação afirmou que só tomou conhecimento do ocorrido através das redes sociais, alegando que não havia recebido nenhum boletim de ocorrência ou registro formal até aquele momento.
A instituição usou a frase padrão de que "não coaduna com desvios de conduta" ou ações que extrapolem os limites operacionais. No entanto, a resposta prática veio através da Corregedoria-Geral da PMMS. O órgão informou que já identificou os militares envolvidos na ação e instaurou um procedimento administrativo para apurar a conduta de cada um e aplicar as sanções cabíveis.
Um ponto polêmico na nota da PMMS é a ressalva de que a única prova que possuem é o vídeo divulgado. A corporação alegou que não existem registros do que aconteceu antes do chute, tentando, indiretamente, sugerir que pode ter havido um contexto que justificasse a abordagem, embora o vídeo mostre claramente a agressão contra menores de idade.
Impacto jurídico e a luta da família por justiça
A indignação da família é palpável. Embora o boletim de ocorrência não tivesse sido registrado no momento inicial da repercussão, os parentes deixaram claro: eles pretendem processar o Estado e a Polícia Militar. A agressão a adolescentes, especialmente em um contexto de festa popular, levanta questões graves sobre o treinamento de controle de distúrbios civis e o uso proporcional da força.
Especialistas em direitos humanos apontam que o uso de cassetetes contra jovens em discussões meramente verbais fere a legislação vigente e os tratados internacionais de proteção à criança e ao adolescente. O caso agora caminha para se tornar um marco sobre a conduta policial durante eventos de massa em Mato Grosso do Sul.
O que esperar dos próximos passos
Agora, o foco está no resultado do inquérito administrativo da Corregedoria. A pergunta que fica é se os policiais serão apenas afastados ou se haverá punições mais severas, como a expulsão da corporação. Paralelamente, a ação judicial da família deve forçar a revelação de mais detalhes, como as imagens de câmeras de segurança da região da Esplanada Ferroviária, que podem mostrar o início da abordagem.
Além disso, o Ministério Público deve ser acionado para acompanhar o caso, dado que as vítimas são menores de idade e houve lesões corporais graves (a fratura no braço da irmã). A pressão social nas redes sociais continua forte, exigindo que a PMMS não trate o caso apenas como um "desvio de conduta", mas como crime de abuso de autoridade.
Perguntas Frequentes
Onde exatamente ocorreu a agressão?
O incidente aconteceu em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, especificamente no cruzamento da rua 14 de Julho com a avenida Mato Grosso, na região da Esplanada Ferroviária, durante as festividades do Carnaval 2026.
Quais foram as lesões sofridas pelas adolescentes?
A vítima principal relatou dores intensas e a suspeita de ter deslocado a articulação do braço após o chute nas costas. Sua irmã, também de 15 anos, sofreu uma fratura no braço após ser atingida por um cassetete.
Qual a posição oficial da PMMS sobre o caso?
A Polícia Militar afirmou que não tolera desvios de conduta e que a Corregedoria-Geral já identificou os envolvidos e abriu um processo administrativo para apurar os fatos e aplicar as sanções necessárias.
Houve socorro imediato às vítimas?
Não. De acordo com o relato da adolescente, nenhum dos policiais presentes, incluindo as agentes femininas, prestou assistência ou socorro após as jovens terem sido agredidas e caído no chão.
As vítimas registraram boletim de ocorrência?
No momento da primeira reportagem, a família informou a intenção de processar a PM, mas ainda não havia formalizado o boletim de ocorrência, embora a PMMS tenha iniciado a apuração interna via Corregedoria.