PM agride adolescente com chute durante Carnaval em Campo Grande

PM agride adolescente com chute durante Carnaval em Campo Grande
Ricardo Gravina abr, 26 2026

Uma adolescente de 15 anos foi agredida brutalmente por um policial militar durante as celebrações do Carnaval 2026Campo Grande, na terça-feira, 17 de fevereiro. O episódio, registrado em vídeo que já circula amplamente nas redes sociais, aconteceu no cruzamento da Rua 14 de Julho com a Avenida Mato Grosso, na região da Esplanada Ferroviária. A jovem, que estava acompanhada da irmã e de uma amiga, foi atingida por um chute nas costas, resultando em ferimentos e em um cenário de pânico.

Discussão verbal termina em violência e feridos

Tudo começou com o que a vítima descreve como uma simples discussão. De acordo com o relato dado ao g1, a adolescente de 15 anos estava com sua irmã gêmea e uma amiga quando houve um desentendimento verbal no local. Segundo ela, não existia qualquer briga física antes da chegada dos agentes de segurança. O clima pesou rapidamente quando os policiais se aproximaram.

A situação escalou de forma assustadora. A jovem relatou que os policiais não tentaram mediar o conflito, mas passaram a agredi-las com cassetetes. No meio da confusão, a adolescente recebeu o impacto de um chute nas costas que a derrubou no chão. A queda foi feia e a dor imediata: ela sentiu a articulação do braço se deslocar, embora a confirmação médica exata ainda dependa de exames detalhados.

Mas a tragédia não parou nela. A irmã da jovem, também de 15 anos, teve um destino ainda mais grave. Atingida por um golpe de cassetete, a garota sofreu uma fratura no braço. O detalhe que mais choca a família é a total ausência de humanidade após o ataque. Segundo a vítima, nenhum dos policiais — nem mesmo uma agente feminina que estava presente — se moveu para prestar qualquer tipo de socorro após as meninas caírem feridas no asfalto.

A resposta da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul

A repercussão digital foi instantânea. Com o vídeo viralizando, a Polícia Militar de Mato Grosso do SulPMMS se viu obrigada a se manifestar. Em nota oficial, a corporação afirmou que só tomou conhecimento do ocorrido através das redes sociais, alegando que não havia recebido nenhum boletim de ocorrência ou registro formal até aquele momento.

A instituição usou a frase padrão de que "não coaduna com desvios de conduta" ou ações que extrapolem os limites operacionais. No entanto, a resposta prática veio através da Corregedoria-Geral da PMMS. O órgão informou que já identificou os militares envolvidos na ação e instaurou um procedimento administrativo para apurar a conduta de cada um e aplicar as sanções cabíveis.

Um ponto polêmico na nota da PMMS é a ressalva de que a única prova que possuem é o vídeo divulgado. A corporação alegou que não existem registros do que aconteceu antes do chute, tentando, indiretamente, sugerir que pode ter havido um contexto que justificasse a abordagem, embora o vídeo mostre claramente a agressão contra menores de idade.

Impacto jurídico e a luta da família por justiça

Impacto jurídico e a luta da família por justiça

A indignação da família é palpável. Embora o boletim de ocorrência não tivesse sido registrado no momento inicial da repercussão, os parentes deixaram claro: eles pretendem processar o Estado e a Polícia Militar. A agressão a adolescentes, especialmente em um contexto de festa popular, levanta questões graves sobre o treinamento de controle de distúrbios civis e o uso proporcional da força.

Especialistas em direitos humanos apontam que o uso de cassetetes contra jovens em discussões meramente verbais fere a legislação vigente e os tratados internacionais de proteção à criança e ao adolescente. O caso agora caminha para se tornar um marco sobre a conduta policial durante eventos de massa em Mato Grosso do Sul.

O que esperar dos próximos passos

O que esperar dos próximos passos

Agora, o foco está no resultado do inquérito administrativo da Corregedoria. A pergunta que fica é se os policiais serão apenas afastados ou se haverá punições mais severas, como a expulsão da corporação. Paralelamente, a ação judicial da família deve forçar a revelação de mais detalhes, como as imagens de câmeras de segurança da região da Esplanada Ferroviária, que podem mostrar o início da abordagem.

Além disso, o Ministério Público deve ser acionado para acompanhar o caso, dado que as vítimas são menores de idade e houve lesões corporais graves (a fratura no braço da irmã). A pressão social nas redes sociais continua forte, exigindo que a PMMS não trate o caso apenas como um "desvio de conduta", mas como crime de abuso de autoridade.

Perguntas Frequentes

Onde exatamente ocorreu a agressão?

O incidente aconteceu em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, especificamente no cruzamento da rua 14 de Julho com a avenida Mato Grosso, na região da Esplanada Ferroviária, durante as festividades do Carnaval 2026.

Quais foram as lesões sofridas pelas adolescentes?

A vítima principal relatou dores intensas e a suspeita de ter deslocado a articulação do braço após o chute nas costas. Sua irmã, também de 15 anos, sofreu uma fratura no braço após ser atingida por um cassetete.

Qual a posição oficial da PMMS sobre o caso?

A Polícia Militar afirmou que não tolera desvios de conduta e que a Corregedoria-Geral já identificou os envolvidos e abriu um processo administrativo para apurar os fatos e aplicar as sanções necessárias.

Houve socorro imediato às vítimas?

Não. De acordo com o relato da adolescente, nenhum dos policiais presentes, incluindo as agentes femininas, prestou assistência ou socorro após as jovens terem sido agredidas e caído no chão.

As vítimas registraram boletim de ocorrência?

No momento da primeira reportagem, a família informou a intenção de processar a PM, mas ainda não havia formalizado o boletim de ocorrência, embora a PMMS tenha iniciado a apuração interna via Corregedoria.